Jogos Eletrônicos, qual o problema?
Publicado em 16/06/2008 – 15:56
É interessante notar que desde seu surgimento, os jogos eletrônicos passaram por vários estereótipos, sendo muitas vezes considerados como incentivadores da violência, e com mensagens satanicas ocultas. Sempre me perguntei o motivo disso, qual a grande questão que gera toda essa polêmica em torno dos jogos.
Os jovens atualmente jogam jogos eletrônicos, praticam esportes em algum clube, assistem TV. Esta é a base da diversão nos dias atuais. Quando surge algum problema com as crianças, como dificuldades na escola, ou emocionais, os jogos são os primeiros a serem culpados, mas será que podemos jogar assim a primeira pedra sem nem conhecer o acusado?
Seriam os jogos eletrônicos assim tão diabólicos que, sempre que presentes na vida da criança, teriam o poder de corromper todos os costumes e gerar problemas diversos? Me parece uma alternativa muito impensada, e impulsiva.
É muito mais fácil culpar a TV ou os jogos por problemas com as crianças do que admitir que o problema geralmente vem da relação entre os pais e a criança. O mundo de hoje não permite que a maioria das pessoas passe uma quantidade de tempo razoável com seus filhos, e o cansaço não permite nem que as poucas horas semanais de contato entre pais e filhos sejam de qualidade.
A responsabilidade da criação é toda delegada para terceiros, que não oferecem um suporte emocional de qualidade, e quando os filhos apresentam problemas, os pais mais uma vez se ausentam ao delegar de novo a responsabilidade do problema. É muito mais fácil culpar outros por erros que são seus.
Se abolirem os jogos, os problemas continuarão. E outra coisa receberá uma culpa que não te pertence.
Se os jogos fossem culpados, o número de jogadores com problemas ia ser muito maior do que o atual. E o que vemos atualmente não é isso. Se eles tivessem essa capacidade de desvirtuar os jovens, o caos já estaria instaurado. É uma diversão como qualquer outra.
As pessoas tem que parar de tentar achar “bodes expiatórios” e admitir que os problemas não estão nos jogos, mas sim nas pessoas, e em como elas se relacionam.
Bernardo Dolabella é graduando em psicologia na UFMG, atua na área de saúde mental e justiça. Mantem como base do pensamento a racionalidade e a critica às meias-verdades do mundo.
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4 comentários em “Jogos Eletrônicos, qual o problema?”
Ola bernardo Dolabella
Minha namorada tem um filho de 9 anos. e ele adora jogos eletrônicos… mas tentamos fazer com que ele jogue poucas horas, de 1 a 3 horas, mas ele briga, a unica coisa que ele fala é jogos..
EU fui assim quando criança e tive varios problemas, realmente usei o jogo como fuga. mas com ele estamos querendo ajudar. o que vc aconselha a fazer para fazer com que a criança veja que ela pode jogar e pode fazer outras coisas legais.. seria como a unica cois realmente boa são os jogos.
obrigado.
Leonardo Imparato
por Leonardo em 22/07/2008
Caro Leonardo,
Primeiramente gostaria de elogiar sua atitude, de buscar informações para o melhor desenvolvimento da criança, e não culpar os jogos cegamente.
Como falei em meu outro artigo, o jogo eletrônico é uma maneira saudável de diversão, mas como tudo na vida, seu excesso pode ser prejudicial e indicar alguma outra questão psicológica.
Bom, antes de te dar conselhos relativos a sua questão, alguns pontos devem ser analisados.
1º- Quais são as opções de diversão da criança no dia-a-dia?
2º- Como é a rotina da criança?
3º- Com que ela passa o dia? Mora com quem?
4º- Como se relaciona com os adultos a sua volta?
5º- Pratica algum esporte? Realiza alguma atividade além da escola?
6º- Como são as amizades dessa criança? Possui muitos amigos?
7º- Que tipo de jogos ela costuma jogar? Existe um tipo de jogo preferido?
Como pode perceber Leonardo, são várias as questões a serem analisadas para sua questão.
A disciplina é fundamental, mas se resumir a isso é simplório demais. Cada caso possui suas particularidades que devem ser analisadas com calma, para que se possa chegar numa solução real.
Analise com calma essas questões, pois a resposta para sua questão específica pode ser algo simples, como falta de opções de diversão, excesso de tempo livre, tédio, carência, dentre outras.
Espero ter ajudado, e estou a disposição para auxilia-lo.
Abraços
por Bernardo Dolabella em 23/07/2008